Edi Rock feat. Mc Pedrinho
De Onde Eu Venho

Behind the lyrics

Aperte o play, clique em um trecho da música e entenda o significado da letra.

Eles invejam o que tenho
Todos os bens que obtenho
Mas não vêm da onde eu venho

Sou fruto do engenho, fruto do campo

Durante o período colonial no Brasil, a maior parte da população era composta por africanos e seus descendentes, que foram escravizados. No campo, 80% deles estavam ocupando algum trabalho no engenho de açúcar e tinham uma rotina que poderia chegar a 18 horas diárias de trabalho.

De anos e anos de estupro e espanco

A miscigenação do povo brasileiro aconteceu de forma violenta: através de uma cultura de estupro, promovida pelos fazendeiros e seus filhos. No livro Casa Grande & Senzala (acusado de romancear esses atos sórdidos), é possível encontrar relatos de como garotas negras de 12 anos eram entregues aos brancos que tinham sífilis, pois acreditava-se naquela época que a cura da doença acontecia através do sexo com escravas virgens.

Do leito da dor, do leito do pranto
De 1500 600 e tanto
De vários milhões arrancados de lá

Foram três grandes ciclos de comércio de escravos pelo Atlântico. Durante o terceiro, a região conhecida como Costa dos Escravos, que compreendia o Reino de Uidá (atual República de Benin), tornou-se o principal centro de exportação para o Brasil. É muito imprecisa a quantidade de africanos que morreram nesse período. Historiadores acreditam que entre 10 e 12 milhões de pessoas foram aprisionadas e trazidas para o nosso continente, encontrando no nosso país seu principal destino.

Entre reis e guerreiros (lançados no mar)

Cerca de 25% dos africanos morriam durante a viagem e eram lançados ao mar. Após a proibição do tráfico pelo Atlântico, quando os escravocratas encontravam navios da Marinha Britânica, eles também jogavam todos os negros para morrer no oceano.

Há histórias de reis e rainhas que vieram para as Américas. No Brasil, tivemos Aqualtune, membra da Dinastia de Nlanza em Angola, que tornou-se rainha de Palmares; Zacimba Gaba, princesa da nação africana de Cabinda, também tornou-se rainha de quilombo e liderou um exército contra o Império.

Congo, Angola, Centro-Oeste
Da África ao Brasil Nordeste

Uma grande parte dos negros escravizados que chegaram ao Brasil no século XVII era proveniente da região do Congo. Muitos foram para províncias como Minas Gerais. A partir de 1580, o Nordeste brasileiro recebia uma média de 2 mil africanos por ano, segundo o historiador Thomas E. Skidmore.

Durante o “Ciclo da Costa da Mina” ou “Ciclo de Benin e Daomé” (1815), a maioria dos africanos que desembarcaram nas regiões Norte e Nordeste, em especial no Recôncavo Baiano, era da etnia Iorubá ou Nagô.

Séculos de chibata, séculos de corrente
Sou remanescente, afrodescendente
O povo sobrevive entre aspas “livre”

Os negros nunca foram submissos à escravidão e causaram revoltas durante todo o período escravocrata. Na Colômbia, em 1599, Benkos Biohó liderou um dos palenques que se tornou o primeiro povo livre do nosso continente.

No Brasil, as condições desumanas também alimentaram o espírito guerreiro dos negros. Além de Palmares, que resistiu por quase um século, outros conflitos marcaram a luta do povo negro contra a escravidão. Alguns desses capítulos mais expressivos são a Revolta dos Malês (na Bahia, em 1835) e a Revolta das Chibatas (no Rio de Janeiro, em 1910), quando marinheiros afro-brasileiros se cansaram das punições de oficiais brancos.

Hoje a guerra é outra, sei, e sempre estive
Mandela... Zumbi...

Quando o governo da África do Sul aprovou o Apartheid, Nelson Mandela tornou-se o principal líder contra esse sistema racista que criminalizou a mistura de negros com brancos, colocando os africanos em condições inferiores de educação, saúde e trabalho. Mandela foi condenado à prisão perpétua em 64, mas, após pressão popular, foi solto, em 11 de fevereiro de 1990. Tornou-se presidente da África do Sul quatro anos depois, trabalhando para a destituição do Apartheid.

Zumbi dos Palmares, neto da rainha Aqualtune e sobrinho de Ganga Zumba, foi o lendário líder do Quilombo dos Palmares. Sob a regência de Zumbi, o assentamento resistiu por mais 15 anos e virou símbolo da resistência contra o sistema de opressão racial.

Luiz Gama... e d i
Qual a diferença, qual a facção
Qual a sua sentença, qual a sua razão

Luís Gonzaga Pinto da Gama foi um rábula: sem formação de advogado, ele obtinha a autorização para advogar através do poder judiciário. Se alfabetizou após os 17 anos, descobriu as leis abolicionistas da época e conquistou a liberdade para si e para mais de 500 afro-brasileiros. É considerado um dos maiores abolicionistas da nossa História.

Ouro, café, engenho e cana
Droga, cadeia, o crime e grana
Brasil, violência sangrando a esmo
Os negros vivendo e morrendo no mesmo

Os negros escravizados no Brasil sofreram durante os ciclos da cana-de-açúcar e, posteriormente, com o ciclo do café (considerado “ouro verde” no século XIX). Como consequência da escravidão, a dor continua: 7 em cada 10 assassinatos no Brasil são contra negros. O genocídio de jovens negros já foi denunciado pela ONU.

Bate o tamborzão na América do Sul
Bahia, a nascente, SP, sou Zulu
Homem de ambições, homem de visões
Linhagem de líderes, reis e leões

Os Zulus são conhecidos como um dos povos mais destemidos na África. Eles expandiram sua atuação e fortaleceram sua estrutura militar sob a liderança do famoso Shaka Zulu. Durante a guerra Anglo-Zulu, promoveram as derrotas mais vergonhosas para o império britânico.

Vou pra cima agora e mais em outra vida
O mic é minha 9, caneta a ferida
Quântico... crítico...
Romântico... político

A profecia se fez novamente
Bahia magia, minha nascente
Tambor no meu sangue preto e quente

As tradições dos povos Iorubás e de Daomé deixadas, que se instalaram na Bahia, deram origem às duas grandes nações do Candomblé: Nação Ketu e Nação Jeje, onde se cultuam os orixás, voduns ou nkisis, convocados ao toque dos tambores.

Você não aguentou me prender nas correntes

Quando a abolição da escravatura foi instaurada pela Lei Áurea, em 1888, estima-se que a maior parte da população negra já havia se libertado através dos conflitos com os escravocratas. A escravidão passou a custar caro para a República e seus militares.

De onde venho, de onde vim
De onde sou, sei pra onde eu vou
O que eu mantenho eu desempenho
O que eu desenho veio e me abraçou
Fui e lutei no cangaço

No cangaço, havia vários ex-escravos que ingressaram à região por conta da injustiça social. O bando de Lampião abrigou alguns dos cangaceiros negros mais famosos: Carrasco, Corrupio, Moita Brava, Jandaia, Limoeiro, Quinta-Feira e Corisco Preto.

Lágrimas de sangue de um palhaço
Fui no inferno e voltei
Com as armas de Jorge
Sorri e sou rei

Em alguns cultos de tradições afro-brasileiras, São Jorge é cultuado como Ogum; principalmente em terreiros do Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Eles invejam o que tenho
Todos os bens que obtenho
Mas não vêm da onde eu venho

Da onde eu venho
Da onde eu venho

Sigo aprendendo
Desde menor, desde menor eu canto o que eu tô vivendo
Vila Maria, que me refugia, sempre me acolhendo
E os manos de cria do meu dia a dia fazendo dinheiro
Fazemos um salve bem forte
Samba raiz Zona Norte

Para o sambista Geraldo Filme, o samba paulista começou em 1908 nas rodas de samba de negros no interior, depois se consagrando com nomes como Henricão, Paulistinha e Jangada, além de Osvaldinho da Cuíca. A maior parte das escolas de samba da cidade está na Zona Norte.

No canto do campo, fumaça voando, adultos, moleque de porte

O Megatron estralando
Na área 4 tocando
12 do sigla, as mina empina na city, o clima esquentando
Deus sempre abençoando
Todo dia minha família
Tia Monalisa, Fernando, Giovana, Luiza, cês são minha vida